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O que é curva forçada?

A Curva forçada é um recurso que já causou muitos desgastes na relação entre a empresa e o colaborador, entre a liderança e o colaborador.

Olhando por dois lados esse recurso polêmico, para a empresa significou uma necessidade de adequação dos resultados das avaliações que não refletiam a sua realidade. Para muitos colaboradores trata-se de um recurso subjetivo e injusto. Ambos têm lá suas razões, vamos ver porquê.

A curva forçada é uma incoerência que nasceu para combater uma outra incoerência do sistema tradicional de avaliação de desempenho – um sistema cheio de deficiências que precisa ser radicalmente modificado.

Para explicar a curva forçada, precisamos falar um pouco de matemática, mais precisamente de um conceito da estatística. Trata-se do conceito da distribuição normal, representada pela curva de Gaus, como ilustra a figura abaixo.

Sem entrar em muitos detalhes, pelo conceito da distribuição normal, a maior parte da ocorrência de um fenômeno, um fato, um evento está concentrado próximo da média. Vamos ver um exemplo para facilitar a compreensão.

Suponhamos que a altura média de uma população seja 1,65m. A altura da maior parte das pessoas dessa população estará concentrada em torno da média - 1,65m. Quanto mais altas, ou quanto mais baixas, mais distantes da média vão estar. Isso significa que pessoas muito mais altas ou muito mais baixas em relação à média, existirão em quantidade bem menores.

Vamos supor que em uma escola a média do desempenho dos alunos seja 8,0. Vamos supor também que essa escola não consegue alto índice de aprovação dos seus alunos no vestibular.

Se os alunos são tão bons, porque não conseguem passar no vestibular? Isso poderia nos levar a crer que possivelmente os desempenhos dos alunos não sejam tão bons assim e que a escola seja mais branda nos critérios de avaliação. 

Agora vamos voltar para a Avaliação de Desempenho. Pelo conceito da distribuição normal, a maioria dos colaboradores apresentaria desempenho em torno da média, ou seja, atenderia ao requerido pelo cargo.

Tendo isso em vista, a Matriz 9BOX teria basicamente a representação ilustrada na figura abaixo. 

Porém, como no sistema tradicional as avaliações são subjetivas, os resultados refletem a tendência é que as lideranças sejam mais condescendentes em suas avaliações.  

Em decorrência disso, matriz 9box passa a ter a forma da figura ao lado, onde a maioria dos colaboradores está acima da média.

O problema é que, geralmente, este quadro não reflete o desempenho da empresa, e a saída encontrada foi forçar essa curva para que ela encaixá-la na realidade – baseada na distribuição normal. 

O caso mais famoso de curva forçada, que influenciou muitas empresas a adotarem o mesmo critério foi a regra 70-20-10 da GE.

10% seriam avaliados abaixo do esperado e sujeitos a desligamento.

70% deveriam estar próximos da média.

20% dos colaboradores poderiam ser avaliados como high performance. 

O problema é a subjetividade da avaliação de desempenho

Muitas empresas, influenciadas pela GE passaram a definir os percentuais de avaliados próximos, acima e abaixo da média, com base no que julgavam aceitáveis no seu contexto. E os resultados das avaliações teriam que obrigatoriamente se encaixar na regra.

E o que servia de base para a decisão de quem seria enquadrado próximo, acima ou abaixo da média? Na avaliação da liderança, que como já dissemos é carregada de subjetividade. Por isso o sistema acaba causando sentimento de injustiça e insatisfação, sendo alvo de muitas críticas.

Mesmo com a formação dos colegiados, compostos por gestores e profissionais de RH, para avaliar os resultados das avaliações e promover ajustes, a subjetividade ainda continua. Isso porque os membros do colegiado também analisam segundo suas percepções e opiniões.

Conclusão

Na nossa avaliação a Curva forçada deve ser abandonada de vez pelas empresas, em seus processos de avaliação de desempenho.

A solução, em vez de forçar a curva, é estabelecer sistemas de indicadores e recursos de mensuração do desempenho das pessoas, que sejam consistentes e confiáveis.

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Fonte: Cohros